Por Tiago Salazar e André Costa
Corinthians e Memphis Depay ainda precisam superar alguns entraves para selar a renovação de contrato. As partes seguem trocando minutas contratuais e ajustando os últimos detalhes do novo vínculo, mas ainda não chegaram a um acordo definitivo. Um dos principais motivos para a demora é uma série de regalias solicitadas pelo atacante holandês.
Até o momento, a diretoria do Corinthians encaminhou quatro minutas contratuais ao estafe de Memphis. Duas delas já retornaram ao clube com sugestões de alterações, que estão sendo analisadas pela cúpula alvinegra. As outras duas ainda seguem em avaliação pelos representantes do jogador.
Internamente, o Corinthians trabalha com a expectativa de que as negociações sejam concluídas em cerca de quatro ou cinco dias. Até lá, Memphis segue sem uma data definida para retornar ao Brasil e realizar os exames médicos.
Apesar dos rumores de que o atacante desembarcaria no país nesta segunda-feira, a Gazeta Esportiva apurou que a diretoria do Corinthians não foi informada oficialmente sobre qualquer previsão de retorno. Ainda assim, uma volta do holandês nos próximos dias não está descartada como forma de acelerar as tratativas.
O Corinthians, no entanto, já definiu que só assinará o novo contrato após a aprovação de Memphis nos exames médicos. Os testes serão conduzidos pelo chefe do departamento médico, Dr. Ricardo Galotti.
(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
Camarote, Arena e até Mundial
Memphis Depay apresentou uma série de exigências para renovar o contrato com o Corinthians por mais duas temporadas, conforme apurou com exclusividade a Gazeta Esportiva.
Entre os pedidos está a cessão de um camarote na Neo Química Arena. O atacante também solicitou que o clube disponibilize o estádio em dois dias para a realização de eventos organizados por ele. Além disso, o holandês pediu que 50% da receita arrecadada com essas ações seja destinada ao seu estafe. As exigências foram aceitas pela diretoria presidida por Osmar Stabile.
Outra solicitação feita por Memphis envolve uma eventual conquista do Mundial de Clubes, que será disputado daqui a três anos. O atacante pediu um percentual da premiação caso o Corinthians levante a taça, mesmo que já não faça mais parte do elenco. Na avaliação do jogador, ele participaria do processo de reconstrução esportiva do clube e, por isso, faria jus à bonificação. A diretoria alvinegra, no entanto, recusou a proposta.
Principal divergência
Pelo contrato encerrado na última sexta-feira, Memphis tinha direito a receber R$ 4.725.603 por cada título conquistado pelo Corinthians. Para o novo vínculo, porém, as partes voltaram a discutir os critérios e os valores da bonificação.
Segundo apuração da Gazeta Esportiva, este é o principal entrave das negociações até o momento. O estafe do atacante propôs que o jogador passe a receber 20% da premiação obtida pelo Corinthians em cada conquista, mas a diretoria recusou a condição.
As conversas sobre esse tópico estão sendo conduzidas pelo executivo de futebol Marcelo Paz. O clube, por sua vez, já estabeleceu uma contrapartida: para ter direito ao bônus por títulos, Memphis precisará disputar ao menos 50% das partidas da equipe, permanecendo em campo por, no mínimo, 45 minutos em cada uma delas.
Mais detalhes
Nas reuniões entre a diretoria do Corinthians e o estafe de Memphis, outros detalhes do novo contrato também foram definidos. Um deles diz respeito ao uniforme. Caso renove o vínculo, o atacante deverá utilizar os materiais produzidos pela Nike, fornecedora de material esportivo do clube, em todos os jogos disputados na Neo Química Arena. A única exceção será o tênis, que poderá ser da Puma, empresa da qual o holandês é patrocinado.
O contrato elaborado pelas partes prevê R$ 70 milhões em salários, luvas e direitos de imagem, distribuídos ao longo de duas temporadas. No entanto, o vínculo vai alcançar R$ 84 milhões. Isso porque o Corinthians se comprometeu a gerar R$ 14 milhões em receitas de marketing relacionadas ao jogador. Caso o clube arrecade um valor superior a essa quantia, o excedente será dividido na proporção de 80% para Memphis e 20% para o Corinthians.
O acordo também prevê um auxílio de R$ 250 mil. O atacante deverá comprovar as despesas por meio de notas fiscais e, caso ultrapasse esse limite, a diferença será descontada de seus vencimentos.
A princípio, o novo contrato não contará com metas esportivas para que Memphis receba integralmente os valores previstos, possibilidade que chegou a ser estudada pelo Corinthians durante as negociações. Nos bastidores, porém, aliados do presidente Osmar Stabile defendem a inclusão dessa cláusula caso os exames médicos apontem algum problema físico e, mesmo assim, o clube decida renovar o vínculo.
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Clube dividido
Segundo apuração da Gazeta Esportiva, a renovação de Memphis Depay provocou divergências internas no Corinthians. Dirigentes, conselheiros e até associados do Parque São Jorge aconselharam o presidente Osmar Stabile a não estender o contrato do atacante. A avaliação desse grupo é de que o jogador não está rendendo em campo e de que o clube não tem condições financeiras de assumir um novo compromisso milionário, sobretudo após o vínculo anterior render R$ 108,6 milhões ao holandês — sendo R$ 81,9 milhões em salários, luvas e direitos de imagem, além de R$ 26,7 milhões em bônus por títulos, participações em jogos e gols.
Em contrapartida, o executivo de futebol Marcelo Paz, o técnico Fernando Diniz, parte da torcida e o próprio Osmar Stabile são entusiastas da permanência do camisa 10. O posicionamento do presidente, inclusive, provocou desconforto entre alguns de seus aliados políticos, que já cogitam retirar o apoio a uma eventual candidatura à reeleição nas eleições presidenciais previstas para o fim deste ano.
Enquanto as negociações seguem em andamento, Memphis permanece de férias desde a eliminação da Holanda na Copa do Mundo. O atacante teve atuação discreta no Mundial e vive uma temporada marcada por problemas físicos. Pelo Corinthians, disputou apenas 14 partidas, 11 delas como titular, e soma um gol e uma assistência.




